quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um natal de todas as Cores e sons


A Sessão PinkPoka especial destaca alguns numeros musicais. Sao os presenes de Natal da equipe AdP. Esperamos que gostem (se deliciem) com a nossa "ceia musical":



Pra começar, um tradicionalíssimo Pout-pourri de musicas natalinas:



A seguir, o pessoal do GMCLA (Coro Gay de Los Angeles) mostra que não é exatamente de voz empostada que se faz uma boa Ópera. Nada a ver com o Natal, mas não deixa de ser divertido e interessante:



E para finalizar, o GMCLA apresenta uma divertidissima versão da famosa "Dança das Flautas de Brinquedo", do balé O Quebra-Nozes:



Nesse Natal, vamos pedir mais PAZ, AMOR e RESPEITO a Papai-Noel, Deus, fadas ou seja lá o que vc acredite.

Que este dia seja uma verdadeira Festa Universal do Amor, da Amizade e da Esperança.

*Homenagem e votos especiais da Tia Doth a equipe AdP.

Alias, de onde vc está lendo nosso blog?

Alemanha: Fröhliche Weihnachten

Bélgica: Zalige Kertfeest

Brasil: Feliz Natal

Bulgária: Tchestito Rojdestvo Hristovo,

Tchestita Koleda

Catalão: Bon Nadal

China: (1.2)

1. Sheng Tan Kuai Loh (mandarín)

2. Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun (cantonés)

Coréia: Sung Tan Chuk Ha

Croácia: Sretan Bozic

Dinamarca: Glaedelig Jul

Eslovênia: Srecen Bozic

Hispanoamérica: Felices Pascuas, Feliz Navidad

Estados Unidos da América: Merry Christmas

Hebraico: Mo'adim Lesimkha

Inglaterra: Happy Christmas

Finlândia: Hauskaa Joulua

França: Joyeux Noel

País de Gales: Nadolig Llawen

Galego (na Galicia): Bo Nada

Grécia: Eftihismena Christougenna

Irlanda: Nodlig mhaith chugnat

Itália: Buon Natale

Nova Zelândia em Maorí: Meri Kirihimete

México: Feliz Navidad

Holanda: Hartelijke Kerstroeten

Noruega: Gledelig Jul

Polônia: Boze Narodzenie

Portugal: Boas Festas

Romênia: Sarbatori vesele

Rússia: Hristos Razdajetsja

Sérvia: Hristos se rodi

Suécia: God Jul

Tailândia: Sawadee Pee mai

Turquia: Noeliniz Ve Yeni Yiliniz Kutlu Olsun

Ucrânia: Srozhdestvom Kristovym

Vietnã: Chung Mung Giang Sinh

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Campanha URGENTE !!! em apoio ao Kit contra a Homofobia nas Escolas


Assine! em apoio ao Kit contra a Homofobia nas Escolas

O kit educativo é uma iniciativa que vem para discutir a questão da diversidade sexual no ambiente escolar. Vem mostrar aos nossos jovens que é normal ser diferente.

Necessitamos da construção de uma boa educação pública que forme cidadãos capazes de lidar com as diversidades e do resgate de muitas alunas e alunos que são excluídos da escola devido ao preconceito. O combate ao bullying é extremamente necessário.

O termo “kit gay” foi criado para confundir as pessoas, tanto leigos quanto conhecedores do assunto, que já são carentes de informações a respeito disso. Nos comentários que encontramos na internet a primeira impressão que o termo passa às pessoas é que ele está ensinando as crianças e/ou adolescentes a virarem gays, uma apologia ao “homossexualismo” ou à promiscuidade. E nada disto é verdadeiro.

O kit pretende fazer uma abordagem responsável do que vem a ser a realidade do jovem LGBT, que são seres humanos e merecem respeito para viverem da forma que realmente são.

O kit está voltado a alunos do Ensino Médio e não para crianças como muitos estão afirmando.

Querem botar arreios na força LGBT, que a cada dia cresce mais. Porém não irão conseguir. Não aceitam que um homossexual assumido chegou à Câmara dos Deputados. Por isto que digo NÃO ao “kit gay” e SIM ao kit de combate à homofobia nas escolas!

Brasil, dezembro de 2010

Para Saber Mais sobre o KIT leiam o artigo:
http://eleicoeshoje.wordpress.com/2010/12/16/kit/

ASSINE a petição online apoiando o kit:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=kitsim

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"O buraco do meu cu é revolucionário"

Frase do francés Guy Hocquengheim (1993)A força transgressora desta afirmativa parece se dever ao fato de que, no seu bojo, traz algo bastante inquietador, uma vez que desloca uma característica política, a revolução, para um outro lugar, ou seja, para um órgão fisiológico, próprio de descarga. Porém, de grande significância erótica, bem como da representação em que se inscreve a conduta do macho. Não que essa parte terminal do intestino por si só seja revolucionária, mas porque exerce a função de divisor de identidades na construção da masculinidade, que fez eco com as falas dos michês jovens - cuja virgindade do ânus e o beijo na boca parecem ser preservados a todo custo.


O padrão tradicional que tipifica a "essência" masculina não admite incertezas, na melhor das hipóteses, a incerteza e desconforto; na pior, um potencial de perigo. Não obstante, produzir confusão e sustentar alguma dúvida pode significar pôr sob suspeita a orientação heterossexual masculina (Giffin e Cavalcanti apud Seffner, 2003).


"Se descubro que um de meus jogadores é gay, eu rapidamente me livro dele" (Luiz Felipe Scolari)

O ânus é um órgão que, para o heterossexual, deve ter unicamente a função excretória, e que, junto à vigilância de não se efeminar, compõe as obrigações fundantes do masculino. Desde tenra idade, são estas pré-condições que fazem o menino, na sua identidade de gênero, perceber-se diferente e superior ao homossexual "passivo" e a mulher. Tomando por base estas ilustrações, pode-se deduzir que o homossexual "passivo" é aquele sujeito que subverte essa ordem, e elege o ânus, além da sua função fisiológica, como fonte de erotismo e gozo sexual. E, ainda fere um outro princípio masculino, por não apresentar atributos masculinos e desejo sexual pelo sexo oposto, que enfatizam o homem viril. Do contrário, ele manifesta trejeitos e maneirismos que são típicos do feminino, ou seja, ele se efemina.

Talvez, a questão da virgindade anal associada à masculinidade seja um tabu mundial. No entanto, parece mais acentuado nos países de cultura machista a exemplo do Brasil.


A pós-modernidade é tipicamente a cultura da emancipação individual estendida a todas as idades e sexo (Lipovetsky, 2005), Todavia, esta mudança liberal ainda suscita o arcaico, a exemplo do uso do ânus como órgão sexual de prazer que, para o homem, está vetado, uma vez que essa modalidade erógena e sexual está fortemente vinculada à conduta homossexual, no caso, "passiva", e a visibilidade do estigma, ambos socialmente condenados. O homem para ser macho tem que, no uso do seu corpo, recorrer unicamente ao seu pênis como instrumento e meio de prazer, para que não deslize para a sexualidade do "diferente".

Para Deleuze (2004), os interesses somente serão revolucionários, quando desejo e máquina não se tornarem únicos, e se voltarem contra os chamados dados naturais da sociedade capitalista. Com base nesse autor, pode se pensar em que o comportamento homossexual assumido ou com "visibilidade do estigma" concretiza-se como um tipo específico de revolução. Uma vez que esse indivíduo pode negar essa condição ou passar incólume com a "fachada" de heterossexual. Não é uma atitude anárquica desnudar o próprio desejo proibido perante "olhar público", contrariando as vertentes biológica, social, cultural e outras, com todos os riscos em que isto implica? Nesse sentido, certamente, não se constitui numa tarefa fácil renunciar a uma representação de si com qualidades extraordinárias e promessas grandiosas que, durante anos, lhes serviram de modelo (Nolasco, 1986)."

Eis um bom resumo do artigo intitulado "A visibilidade do suposto passivo: uma atitude revolucionária do homossexual masculino" de Valdeci Gonçalves da Silva, Professor Titular do Departamento de Psicologia da UEPB.

Disponivel em sua íntegra em:http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482007000100006


A palavra CU monossilabico escatológico incomoda muitos LGBT que preferem sustentar em princÍpios de rechaços do comportamento passional do gay ou o silêncio pelo incomodo de citar uma área erógena que não lhe é permitido ao prazer, tabulizando e contribuíndo a opressão da sexualidade humana, ou será como um exame de próstata, algo que ocorre mais jamais divulgado.

Alias,

Que olho é esse?

Em 1973, o compositor Tom Zé lançou pela gravadora Continental o LP "Todos os Olhos".


A capa está reproduzida ao lado, e por muito tempo trazia um enigma: que olho era esse?


Segundo o próprio Tom Zé ninguém nunca chegou a descobrir do que se tratava, até que ele mesmo resolveu contar e solucionar o enigma.


Para contextualizar melhor, deve-se lembrar que a época era de plena ditadura militar no Brasil e que várias músicas dele já haviam sido censuradas.


Seu amigo, o poeta Décio Pignatari, propôs:
"Vamos sacanear estes caras... Por que não colocamos um cu na capa?".


Tom Zé com certa relutância falou:
"Tá maluco, como vamos fazer isso, vamos ser presos!"


Depois de descobrir a maneira como seria feito, topou.


Décio então, arrumou a "modelo", colocou uma bola de gude "lá" e fotografou em foco fechado.


O resultado foi exposto nas vitrines das lojas e a censura nem imaginou do que se tratava.


Lembrem que nesta época não havia os recursos de computador que temos hoje... portanto...
A FOTO é VERÍDICA!!!

*(com a colaboração de Fukumaru, da comunidade Racismo e Homofobia Nunca, do Orkut)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Meninas são mais corajosas?



Olá!!

Tem textos que dizem tudo o que a gente pensa mas não sabia como explicar. O ensaio abaixo foi assim comigo e  acredito que vai ser com muitas leitoras. Bem, chega de trololó, vou postá-lo aqui e quem gostar deixe um comentário!


Meninas São Mais Corajosas?


Blog maedefilhogay.blogspot.com

É inegável que meninas têm uma certa liberdade em expressar afeto desde a infância. Diferente dos  garotos que, ao primeiro sinal de carinho com outro menino, são fortemente reprimidos, quase  ninguém vê perigo em duas meninas que são melhores amigas e passam horas ao telefone. Também não existe tanta repressão a beijos e abraços amigáveis ou dormirem juntas no quarto de uma delas. O medo dos pais é maior da nossa proximidade com o sexo oposto. Daí que você pode pensar que meninas lésbicas têm menos pressão na hora de se assumir. Mentira.

Sim, existe um certo fetiche dos homens em ver duas mulheres transando, mas esse fetiche não tem relação com aceitação ou desejo. A maioria dos homens quando fala desse fetiche tem uma visão muito machista: as duas meninas estão se divertindo enquanto o macho não entra! E quando ele entrar, claro, elas irão preferi-lo. Essa tolerância é na verdade uma desqualificação do relacionamento lésbico: elas só são lésbicas por que não encontraram o homem certo.Daí que tudo bem duas meninas andando de mãos dadas no shopping. Tudo bem que elas “brinquem” de ser lésbicas, por que uma hora o homem certo vai aparecer e “corrigir” isso. Deixe as meninas se divertirem. Na cabeça desses homens não é algo para ser levado a sério, elas vão se “consertar” em algum momento e talvez eles até deem uma ajudazinha. O mesmo homem que reage com ojeriza a relação entre gays se diz tolerante a relações lésbicas numa linha de raciocínio torta, onde o machismo é o denominador comum. Homens não podem ser penetrados, por que isso é ceder sua posição de macho dominante, não podem se submeter a outro homem. Então, na cabeça torta desse machista, a relação lésbica não passa de uma brincadeira, já que nenhuma penetração acontece (na cabeça deles, of course).
Claro que todo esse raciocínio torto vai ruir se as meninas em questão não forem fortemente
femininas...de novo, na versão dele de femininas. Uma lésbica masculinizada (eu odeio o termo tanto quanto odeio afeminado, mas...) é um desafio à posição do macho. É uma afronta a ele. E ai a tolerância voa pela janela. E o preconceito que essas meninas enfrentam é tão ou maior que os afeminados. É um desafio à estrutura patriarcal. Veja bem, além de não se curvar às vontades do macho, ela ainda quer ter comportamentos só reservados a ele!

E eu me pergunto de onde vem a coragem e me encanto com a disposição dessas meninas em enfrentar isso. Em exigir seus direitos e partir para a luta. Elas estão nos shoppings e praças marcando muito mais presença que os homens gays. Elas estão na luta pela adoção, pela fertilização assistida, pela reforma na educação. Elas estão saindo do armário e andando orgulhosas na rua. Elas estão apanhando do mundo, mas se recusam a baixar a cabeça. E ainda precisam ouvir que para elas é mais fácil! Não é. É toda uma luta contra a sociedade patriarcal e machista, exatamente como para os homens.

Eu acredito sim que existe uma certa “tolerância” a manifestações de afeto lésbico que não existe com os homens. Mas essa tal de tolerância não passa da introdução. Ela está restrita a uma minoria que parece “bonitinha” à vista e que é engolida pela sociedade. Lésbicas maduras andando de mãos dadas na rua ou se beijando em público, terão a mesma reação de desagrado que garotos gays sofrem. Meninas menos “femininas” são tão ou mais rejeitadas que afeminados. A diferença que eu vejo é que, mesmo assim, elas não tem mais medo de saber quem são.

Não quero aqui criar uma divisão a la clube do Bolinha, mas acho que gays e lésbicas estão em momentos diferentes no que diz respeito a essa visibilidade. Enquanto vejo um discurso machista de ser discreto e não dar bandeira, ganhar corpo entre os homens, vejo essas meninas partindo para a luta, não por uma falsa aceitação que só existe se você se enquadra nos moldes heteronormativos, mas por respeito e visibilidade. E amigo, só quem é mulher sabe como é complicado se impor nessa sociedade machista. É dose para leão. Negar-se a cumprir a missão de cuidadora e procriadora para os homens é uma afronta que eles não digerem bem.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Casais homoafetivos ganham direito a pensão

Agência Estado

No Dia Internacional dos Direitos Humanos (10/12), o governo tomou duas medidas que pretendem ajudar no combate à discriminação contra homossexuais. A primeira foi oficializar a política de estender benefícios da Previdência a companheiros de homossexuais. A segunda, publicar finalmente o decreto que regula a criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação.

A determinação de estender as pensões em caso de morte para parceiros de homossexuais foi feita por meio de um decreto do Ministério da Previdência e altera a base de reconhecimento de uniões estáveis do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, o instituto admite a união estável, mas apenas para casais heterossexuais. A concessão de pensão já ocorria desde 2000, mas apenas porque tinha como base uma liminar da justiça federal, que poderia cair a qualquer momento. Com a portaria no dia 10, o pagamento nesses casos fica garantido.

Para comprovar o relacionamento, os casais terão de apresentar no mínimo três documentos: a declaração de imposto de renda do segurado, com o beneficiário na condição de dependente; testamento; declaração especial feita perante tabelião (concubinato) ou conta bancária conjunta. Os critérios são os mesmos fixados pelo código civil para o reconhecimento da união estável de heterossexuais.

O INSS também aceita outras declarações para provar a união das pessoas do mesmo sexo, como prova de mesmo domicílio; procuração ou fiança reciprocamente outorgada; registro em associação de qualquer natureza, onde conste o interessado como dependente do segurado; anotação constante de ficha ou livro de registro de empregado; apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro e a pessoa interessada como beneficiária; ficha de tratamento em instituição de assistência médica e escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em nome do dependente.

Índias, putas e lésbicas: a mulher que leva a política para as ruas na Bolívia

O que é bom é pra ser repostado. Boa leitura)

Do Opera Mundi: http://operamundi.uol.com.br/perfil_ver.php?idConteudo=109





O neurocirurgião-chefe de um hospital de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, fez cara de desdém quando contei a ele que a mulher que eu entrevistaria em La Paz, capital do país, era María Galindo. "Aquela lésbica?!", replicou ele, me olhando com reprovação. Já a estudante universitária crucenha a quem falei da entrevista foi ponderada. "É uma senhora com ideias interessantes", disse ela.

Para uma costureira de La Paz, a reação ao nome de Galindo foi de chacota: "é a louca"; para o marido da costureira, um advogado, Galindo é "a careca". E para um outro pacenho, garçom de um restaurante no centro da capital, María Galindo é, "tsc, tsc, tsc, uma senhora que pretende levar as mulheres ao poder" – respondeu ele, meneando a cabeça negativamente para mostrar que isso não é uma boa coisa.



De fato, Galindo é lésbica – uma das primeiras a se assumir publicamente na Bolívia, país onde, como outros da América Latina, a heterossexualidade é um pressuposto tácito e requerido para a aceitação social. Nascida em La Paz há 45 anos e psicóloga por formação, ela entende a política como transformação das relações sociais e não como projeto de poder por meio da ocupação de cargos na administração pública.

Além disso, ela mesma se considera um pouco louca por causa das ações de protesto que empreende com suas colegas de ideais feministas. Suas têmporas são raspadas com máquina zero e contrastam com seus cabelos longos e negros pendendo do alto da cabeça – o díptico cabelo-careca combina com seu visual punk-gótico de jaqueta de couro surrada, calças justas, coturnos cravejados de rebites de ferro e sombra e batom negros gritando na pele muito branca do seu rosto.

Política nas ruas

Sobre Galindo querer levar as mulheres ao poder, há um erro conceitual na afirmação do garçom, talvez porque ele conheça apenas os fragmentos caricatos divulgados pela imprensa boliviana ou porque, justamente, faz a confusão entre "política como transformação" e "política como projeto de poder" que Galindo tenta deixar clara em seu discurso – evidenciando sempre a defesa do primeiro tipo como base de seu pensamento.

María Galindo não quer levar as mulheres ao poder, mas às ruas das principais cidades da Bolívia e da América Latina. Quer levá-las às universidades de Santa Cruz, ao parlamento em La Paz, à Bienal de São Paulo (onde esteve em 2007) e à Praça do Congresso em Buenos Aires, na Argentina. Em todos esses - e outros - lugares, quer grafitar nos muros de escolas, zonas de prostituição e instituições públicas frases como "Desobediência: por sua culpa serei feliz", que ela e suas colegas acreditam evidenciar rupturas e anunciar possíveis remendos nos "buracos do tecido social".

“Hoje vivemos, em todas as esferas, uma realidade profundamente hierárquica, autoritária e violenta”, diz María Galindo. Para ela e as bolivianas que compartilham de suas ideias, uma forma de tentar reconstruir esse tecido é fazendo política, mas na prática, no dia-a-dia, de preferência nos muros públicos – e com muita tinta.

Virgem dos Desejos

Em 1992, em La Paz, María Galindo fundou, com Julieta Paredes e Monica Mendoza, o grupo Mujeres Creando (Mulheres Criando, em português), movimento anarcofeminista que usa o grafite como uma das principais formas de expressar ideias e exigir transformações concretas na sociedade por parte das autoridades civis, políticas, religiosas e militares. “Nós três vínhamos da esquerda, mas de uma esquerda homofóbica e absolutamente incapaz de entender que nós, mulheres, somos um sujeito político. Eles não nos ouviam. Então tínhamos de criar um espaço próprio para essas discussões, e foi o que fizemos".

Para a ativista, na Bolívia "parece que os espaços sociais precisam de certo estofo institucional, ritualístico e jurídico" para existirem. "Nós éramos três loucas que decidimos nos organizar e falar publicamente”, conta.


María Galindo em uma de suas apresentações artísticas

Há dez anos, o Mujeres Creando conta com uma sede auto-sustentável no centro de La Paz, um casarão vermelho batizado de A Virgem dos Desejos. Lá há uma biblioteca com farta literatura feminista, vídeos, internet, restaurante popular, banheiro público, loja de livros e artesanato, atendimento médico gratuito, salas de aula para realização de palestras e oficinas profissionalizantes, escola primária e assessoria jurídica gratuita para mulheres vítimas de violência, além de hospedagem para essas mulheres – ou para estrangeiros que queiram conhecer mais o trabalho do grupo. Em 2007, foi inaugurada na sede a rádio Deseo, emissora comunitária que pode ser ouvida em rede nacional diariamente.

Índias, putas e lésbicas

Desde o princípio do movimento, o grafite foi pensado como instrumento de ocupação do espaço público. Para María Galindo, as ruas, praças e muros, lugares seminais do grafite, são espaços políticos mais importantes até do que a própria sede do governo ou outra instituição pública.

“Com o grafite, você se comunica com as pessoas sem intermediários. Através dos anos e da constância, conseguimos uma concatenação temática das frases que são sempre pensadas coletivamente. Entendemos, por exemplo, que o racismo e a homofobia são paralelos e caminham juntos. Nas nossas frases, misturamos temas que a sociedade e os meios de comunicação não permitem mesclar porque classificam as coisas como se uma não tivesse a ver com a outra. Mas o público e o privado estão interligados: o que se passa na cama e no parlamento têm uma relação”, diz a "agitadora de rua", como ela mesma se define.

“Índias, putas e lésbicas, revoltas e irmanadas” é uma das frases mais emblemáticas grafitadas nas ruas bolivianas com a mesma caligrafia “de escola” padronizada e reproduzida por cada membro do Mujeres Creando e que as identifica – além da assinatura no fim de cada frase com um "A" anarquista dentro de um círculo. São as indígenas, as mulheres em situação de prostituição, as lésbicas e as donas de casa que fazem parte das atividades do grupo, além de outras profissionais, como jornalistas e advogadas.

Separatismo

A crítica implícita na frase refere-se ao denso clima separatista entre indígenas e não-indígenas que se respira nas cidades bolivianas. Desde Santa Cruz, por exemplo, província no leste do país (fronteira com o Mato Grosso) e a região mais rica, a crítica recai sobre a origem indígena aimará do atual presidente, Evo Morales - acusado pelos crucenhos de privilegiar com políticas públicas os povos indígenas de regiões mais pobres, como La Paz, com recursos vindos de Santa Cruz. Já em La Paz, província com maioria indígena, a crítica é disparada sobre a ânsia separatista dos crucenhos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Jabor: "Agressores homofóbicos não têm identidade nenhuma"


Cine PinkPoka de sexta feira, com critica global e comentarios da Doth Lavigne.
Sabe aqueles playboyzinhos que espancaram jovem gay em Copacabana? Pois é, conseguiram seus 15 minutinhos de fama:



Na minha opinião, Arnaldo Jabor, que nem sempre é tão genial quanto nesse filme, mirou no coelho e acertou na mosca. Ridicularização e escárnio é a atitude mínima que se espera de uma sociedade que se diz "democrática" e "civilizada". Quem sabe, quando esses FDPs* começarem a perceber o quanto suas atitudes são consideradas ridículas pela população, eles pensem melhor nos seus atos.

Indo mais fundo no problema, embora saibamos o quanto nossa sociedade é preconceituosa e conservadora, sabemos também que ela é "politicamente correta" e falsa moralista o suficiente para descartar os elementos que se "queimam" fazendo o trabalho sujo.

O empregador que dispensa funcionários LGBTs sem nenhum motivo aparente é o mesmo que fica "enojadinho" quando vê jovens sendo agredidos com lâmpadas fluorescentes na rua. O universitário que faz da "liberdade sexual" seu grito de guerra, avacalha com a primeira "biba pintosa" que vê na rua. O mesmo político que em véspera de aleição aperta a mão de gays e veste a roupa do "aliado" (sem carapuças e generalizações) vira as costa para seus eleitores depois de eleito. O mesmo padre/pastor que faz pregações acaloradas contra os "sodomitas" do púlpito, sai com travestis durante a noite e escarnece dos "pecadores" no dia seguinte. Na hora do pega-pra-capar, ninguem quer ser preconceituoso.

Mas quando nossa querida sociedade é pega com a boca na botija, violando os mais básicos Direitos Humanos, como o direito a identidade e o de ir e vir, dá-se um jeito de fazer uma caça as bruxas e pegar o primeiro engraçadinho que ousa levantar a mão para um "viado" e o usa como bode-expiatório. Daí aparecem "gênios" como o Sr. jair Bolsonaro e o Sr. Pastor Torquemad..., digo, Malafaia, dizendo que não são preconceituosos, que têm asco por esse tipo de agressão (óbvio, dissimulação é com eles mesmos), mas que são contra a aprovação da Lei de cunho "heterofóbico" que visa punir esse tipo de crime. Como diria a Hebe Camargo- "Gracinhas"...

Vendo pelo lado bom, nossa querida sociedade parece que vai deixar de rir temporariamente da classe LGBT e vai começar a rir inocentemente e hipocritamente dela mesma. Assim seja. Eu, Foucault, Madame Satã e guilda também merecemos rir um pouco (hahaha).

E que sirva de lição: "Homofobia não tem graça nenhuma"

Então que tal seguirmos a corrente do Jabor? Deixe ai nos comentários sua piadinha de homofóbicos.

*FDPs= Filhinhos de papai

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mãe apoia filho que se veste como mulher. E você?

Colunista Marcela Buscato, da ÉPOCA

Cheryl Kilodavis era uma mãe americana comum. Até que seu filho Dyson, de 5 anos, começou a manifestar frequentemente a vontade de usar roupas femininas. O gosto peculiar para um garoto já era uma característica de Dyson: desde os 2 anos, tudo o que era brilhante e cor-de-rosa despertava seu interesse. Cheryl resolveu encorajar a atitude do filho e escreveu o livro “My Princess Boy” (algo como “Meu Garoto Princesa”), que conta a história de um menino que, assim como Dyson, usa roupas femininas.

O livro, publicado de maneira independente, começou a ser usado na escola de Dyson, em Seattle, como uma cartilha antibullying. Fez tanto sucesso que ganhará este mês uma edição da Simon & Schuster, uma grande editora americana. O caso de Dyson parece ímpar porque o menino se veste de princesa, com tules, babados e brilhos, e sai por aí. Não só no Halloween, como aconteceu com Boo, o menino americano que se vestiu de Daphne, a personagem do Scooby Doo, na festa de Halloween da escola (e que também recebeu apoio dos pais).

Capa do livro "My Princess Boy"

Os pais de Dyson enfrentaram reações negativas. Algumas pessoas disseram que bateriam no filho se ele quisesse sair de bailarina por aí. Há quem diga que Cheryl e o marido, Dean, estariam prejudicando a masculinidade de Dyson. Mas o que isso significa? Para começar, ninguém se torna homossexual. Muito menos por usar rosa ou qualquer outra cor ou vestimenta que as convenções sociais determinaram como femininas. Ou, por acaso, as mulheres se tornaram homossexuais depois que começaram a usar calça, considerada por séculos uma peça exclusivamente masculina? Afinal de contas, por que menina usa rosa e menino usa azul? E gostar de rosa faz alguém gay por que a sociedade decidiu que rosa é cor de menina? Pensando bem, esquisito é acharmos isso normal, e não Dyson gostar dessa cor. A mãe dele entendeu direitinho. “Eu sei que as escolhas dele não têm nada a ver com definição de gênero. Diz respeito apenas ao o que ele acha bonito.”

Mesmo os especialistas não acreditam que haja uma relação entre as preferências mostradas por crianças e a orientação sexual delas. Não se pode extrapolar um comportamento presente, que pode ser influenciado pela presença de irmãs ou amigas, por exemplo, para toda uma vida. No caso do menino Boo, que se vestiu de Daphne, uma amiga da irmã dele usou a mesma fantasia. E aí se ele quis copiar? Eu sou a única menina da família. Cresci com os joelhos esfolados de tanto jogar bola e andar de bicicleta, achava muito mais legal brincar de carrinho e não entendia por que meu irmão e meus primos podiam ficar sem camisa e eu não. Achava uma injustiça. Hoje adoro cor-de-rosa e me acho muito mais sortuda do que os meninos porque tenho a possibilidade de comprar uma infinidade de roupas. É claro que exemplos anedóticos não têm nenhuma validade científica – e os pesquisadores dizem que ainda hoje não há estudos confiáveis capazes de relacionar as preferências infantis à orientação sexual futura. Mas, vamos supor que Dyson e outros meninos que gostam de fantasias de menina sejam gays, qual é o problema? Deveriam os pais bater nos filhos, como sugeriram alguns bárbaros aos pais de Dyson, para “corrigir o problema”? É caso de cadeia dupla: por preconceito e violência.

Só temos a ganhar com crianças como Dyson e com pais como o dele. Será que os coleguinhas de Dyson não vão crescer e se tornar uma geração que acha que não tem nada demais menino usar rosa e roupa de princesa, seja pelo motivo que for?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

GMCLA: Lindo como um arco-íris



No dia 24 de outubro de 2010 um grupo de membros do Coral de Homens Gays de Los Angeles se reuniram, junto com amigos e familiares, para cantar uma canção de esperança e esse foi o resultado daquela extraordinária tarde!

Emocionante é pouco!!!
Ainda bem que aos poucos a nossa "querida" sociedade ocidental vai descobrindo que os LGBTs também somos humanos- e sabemos "até" cantar...



Pra quem não conhece essa linda música da Cindy Lauper, segue a tradução:

CORES REAIS

Você, com olhos tristes,
Não fique desanimada.
Oh, eu sei,
É difícil criar coragem,
Num mundo cheio de pessoas
Você pode perder tudo de vista,
E a escuridão dentro de você
Pode te fazer sentir tão insignificante...

Mas eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas
Como um arco-íris.

Mostre-me um sorriso então,
Não fique infeliz, não me lembro
Quando foi a última vez que vi você sorrindo.
Se este mundo te deixa louca
E você aguentou tudo que consegue tolerar,
Me chame
Porque você sabe que estarei lá...

E eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas
como um arco-íris...

Não me lembro
A última vez que vi você sorrindo
Se este mundo te deixa louca
E você deu tudo o que você pode suportar
Me chame
Porque você sabe que eu estarei lá

E eu verei suas cores reais
Brilhando por dentro
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais, cores reias
Cores reais estão brilhando através de você
Eu verei suas cores reais
E é por isso que eu te amo
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais
Cores reais são lindas,
Como um arco-íris...


Tradução:http://letras.terra.com.br/cyndi-lauper/22349/traducao.html

Aproveite, a vida é bela, apesar das normas...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

DISQUE 100 Contra a homofobia


O Disque 100, serviço de captação de denúncias de violência praticada contra crianças e adolescentes, passará a receber também outros tipos de denúncias, inclusive de violência praticada contra homossexuais, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A afirmação foi feita por Erasto Fortes Mendonça, Diretor de Promoção de Direitos Humanos da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, durante seminário na Câmara que debateu o aumento da violência contra a população LGBT.

O representante da Secretaria de Direitos humanos revelou ainda que o secretário Paulo Vannuchi, se reuniu com o Conselho Nacional de Educação e formalizou pedido de inclusão da disciplina de Direitos Humanos nas grades curriculares em todos os níveis de ensino. “Temos a convicção de que precisamos ampliar a consciência das crianças e dos jovens para o respeito à dignidade das pessoas. Apenas com o aprendizado do respeito aos direitos humanos poderemos diminuir a violência contra a comunidade LGBT”, afirmou.

Na avaliação do antropólogo, historiador e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, as causas da violência contra homossexuais no Brasil têm raízes históricas. “Essa violência vem do nosso passado colonial e escravista onde uma minoria de homens brancos detinha todo o poder e era preciso ser super macho e viril para manter mais de 80% da população oprimida”, explicou o antropólogo. Ele lembrou que as estatísticas colocam o Brasil na liderança mundial de assassinatos praticadas contra homossexuais.

Durante o seminário, duas mães, cujos filhos sofreram violência, reivindicaram penas mais duras para crimes contra homossexuais. “É preciso que essa casa parlamentar, que representa a diversidade regional e política do país, aprove leis que deem mais segurança aos jovens homossexuais”, afirmou Angélica Ivo, mãe do adolescente, Alexandre Ivo, assassinado em São Gonçalo (RJ) no início do ano. Também presente ao encontro, Viviane Marques, mãe do jovem baleado por militares no parque Garota de Ipanema, pediu o fim do preconceito. “As pessoas precisam aceitar as outras do jeito que elas são. Por isso apoio a criminalização a homofobia”, afirmou.

O presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu uma campanha nacional em prol da aprovação da criminalização da homofobia. “É preciso que parlamentares e entidades que apoiam os direitos da comunidade LGBT pressionem o Senado para que aprove a lei criminalizando a homofobia no país.”, defendeu. Ao concordar com a aprovação desta proposta, o deputado Luiz Couto (PT-PB), disse que “a convivência e o respeito deve ser a palavra de ordem que norteie a atitude da sociedade em relação à comunidade LGBT”.

Fonte: 24h de combate à homofobia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Assexuados também amam


Revista Marie Clair levanta um tema muito interessante e que merece ser abordado num espaço que se dedica a Diversidade Sexual: as pessoas que não gostam de transar. Logo após , deixo minha opinião sobre mais esse polêmico tema. O leitor também está convidado a nos brindar com seu ponto-de-vista.


Os assexuados: conheça a tribo que defende o direito de não transar

Michael Doré tem 28 anos e nunca beijou. Nem pretende. Beijos, carinhos e qualquer forma de contato íntimo lhe causam repulsa. “O sexo me enoja”, diz. “Sou um assexual convicto.” É quase impossível imaginar que um cara como ele, charmoso, bem-sucedido — é um matemático norueguês e PhD da Universidade de Birmingham, na Inglaterra —, sequer pense em transar. Ainda mais nos dias de hoje, em que sexo e orgasmo são quase uma obrigação. E, antes que você se pergunte o que há de errado com Michael, ele mesmo responde: “Não, não sou gay, não fui abusado na infância, nem tenho problemas hormonais. Eu simplesmente não gosto de transar”. Assim como ele, a pedagoga mineira Rosângela Pereira dos Santos, o bancário americano Keith Walker e uma legião de assexuados dos mais diferentes cantos do planeta começam a sair do armário. São homens e mulheres de todas as idades, perfeitamente capazes de fazer sexo, mas sem nenhum apreço pela coisa. Gente que, graças ao apoio da Aven (Asexual Visibility and Education Network), rede que luta pela visibilidade dos assexuados no mundo, conseguiu se unir para levantar a bandeira da abstinência e lutar para que a assexualidade seja reconhecida como uma quarta orientação sexual (além de héteros, homos e bissexuais).

Sob o slogan “It’s o.k. to be A” (algo como “tudo bem ser assexuado”), essa turma tem frequentado as passeatas gays de Nova York, São Francisco, Londres e Manchester. No grupo, lutando contra o preconceito em relação aos que não gostam de transar, há desde aqueles que nunca tiveram uma relação sexual na vida, até os que fazem sexo por obrigação, para não perder o parceiro. “Por assexual entende-se apenas aquele que não sente atração sexual, não o que não é capaz de se envolver”, explica a socióloga Elisabete Oliveira, que fez do assunto tema de seu doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. “Existem os assexuais românticos e os não românticos. O primeiro grupo consegue se apaixonar, casar e até ter filhos — desde que não haja sexo envolvido. O segundo não gosta de carinhos e não se sente apto a se apaixonar.”
A libido é uma energia vital que pode ser canalizada para o trabalho

Esses dois grupos também podem ser classificados como libidinosos ou não. “Ser assexual não significa, necessariamente, não ficar excitado”, afirma o bancário americano Keith Walker, 37 anos. “Muitos de nós se masturbam, mas não estabelecem relação entre isso e o sexo. É apenas uma maneira de relaxar e aliviar o stress”, diz. Segundo a psicóloga paulista Tânia Mauadie Santana, hoje é comum que a energia que antes era sexual seja canalizada para outras áreas da vida. “A libido é uma energia vital, o que não necessariamente se manifesta só nos órgãos sexuais. O desejo pode ser direcionado para o trabalho, a comida e as atividades físicas”, diz.

Com as recentes investidas no chamado Viagra feminino — comprimido à base de flibanserina que promete devolver a libido à mulher que a perdeu e apresentá-la a que nunca teve —, a comunidade médica tem falado muito em “desejo sexual hipoativo”. O termo, catalogado há mais de 30 anos pela Organização Mundial da Saúde como uma “disfunção sexual”, tem conotação pejorativa para assexuados, que, com razão, não querem ser vistos como doentes. “Quem pratica sexo costuma ter humor melhor, pois o ato libera hormônios de ação antidepressiva. Mas a falta dele não chega a ser um problema de saúde. Ninguém vai morrer por isso”, afirma Tânia Santana. Segundo o psiquiatra Alexandre Saadeh, a assexualidade só requer tratamento quando gera sofrimento. “Se a falta de desejo ou o excesso dele impedir alguém de ser feliz, aí, sim, deve-se falar em tratamento. Caso contrário, não há por quê”, afirma o médico.

(...)

Nas poucas vezes em que tentei falar sobre o assunto com pessoas próximas, sei que me rotulavam como o estereótipo de garota esquisita, complexada, isolada, coisa que eu não sou! Não foram momentos fáceis. Hoje em dia, só amigas mais íntimas sabem de minha ‘situação’. Faz pouco tempo, cerca de um ano, que finalmente me descobri como assexual. Foi através de pesquisas na internet: procurando entender melhor meu comportamento ‘diferente’, encontrei, em fóruns de discussão, pessoas como eu. Percebi que não estava sozinha! Apesar de ser um alívio pessoal, sei que não posso falar sobre esse assunto com qualquer pessoa. Minha família, por exemplo, não faz ideia do que seja a assexualidade — e tenho certeza que a maior parte dos brasileiros também não. Até cinco anos atrás, por exemplo, ao digitar a palavra “assexual” no Google, só apareciam artigos sobre amebas e bactérias.”


Aconselho o leitor a dar uma boa olhada no texto completo:
FONTE:http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI186425-17596,00-OS+ASSEXUADOS+CONHECA+A+TRIBO+QUE+DEFENDE+O+DIREITO+DE+NAO+TRANSAR.html

Pois bem, apresentarei agora alguns apontamentos. Acho extremamente útil o debate a respeito das Diversidades e defendo a ampliação da Sopa de Letrinhas (LGBT) uma vez que ela não dá conta de reunir todos os conceitos e possiblidades de alcançar o prazer e a auto-realização. Mas discordo quando se diz em incluir os Assexuados como um "quarto grupo". Primeiro há de se incluir outros grupos que estão a mais tempo na fila, conceitos que digamos, muito me contemplam e estão a bem mais tempo "na fila", como os "T-Lovers", "Intersexuais",os "Romanticos", "Monogãmicos", etc... nossa, haja alfabeto !

Em segundo lugar, que história mais doida é essa, de ficar patologizando a sexualidade alheia, Dr. Alexandre Saadeh? Estamos de olho no senhor...

Por hoje é só pessoal!
Deixem seus comentários

E viva o orgasmo (do jeito que achar melhor)!!!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Neste clima de violência urbana transmitida pela televisão, uma pergunta: como vive o homossexual morador de Favela no Rio de Janeiro?


(Por Carlos Alexandre Neves Lira"

FONTE:http://carlosalexlima.blogspot.com/2010/11/neste-clima-de-violencia-urbana.html

O post de hoje não será inédito, mas antes um ponto-de-vista bem interessante, uma tentativa de situar a questão LGBT dentro do atual caos, a crise de violência urbana que se abate sobre o Rio de Janeiro:

O Rio de Janeiro ganhou no ano passado primeiro lugar de destino gay numa votação internacional e também em outra eleição como sendo o local mais feliz.

Isto não é bom apenas para o Rio de Janeiro, mas para o Brasil e especialmente para LGBTs nacionais. A entrada de divisas é uma língua que as autoridades públicas entendem e reconhecem, por conseguinte, estes ganhos contribuem para visibilidade e reconhecimento do Estado acerca da existência deste segmento na sociedade.

Infelizmente, o Rio de Janeiro de hoje televisionado mostra uma outra faceta também existente, a da violência urbana, centenas de marginais integrantes de diferentes facções ocupando a Favela do Cruzeiro e outras comunidades, criando um clima de absurdo terror para toda a sociedade, mas em especial para os moradores daqueles locais. A violência no asfalto é grave, mas mais pontual, veículos incendiados e terrorismo, já aquela da Favela apesar de crônica, permanente, é ainda mais concentrada e perversa.

No Rio, como se sabe, o Comando Vermelho surgiu no antigo presídio da Ilha Grande, nos primeiros anos da década de 70, fruto da convivência de presos comuns e presos políticos. Depois surgiram diferentes facções.

Podemos dizer que a violência de hoje é resultado da falta do cumprimento dos deveres e garantias sociais do estado e daquele antigo regime de ditadura.

O Rio de Janeiro conhecido pelos seus morros verdes e o mar, favoreceu, topograficamente e clima (entre outros fatores), o surgimento de favelas.

E foi lá, nas favelas cariocas, onde se concentram os principais desfavorecidos e discriminados que a marginalidade, também oriunda do total descaso social, estrategicamente se estabeleceu e passou a dominar aquele especifico território.

Dificilmente um carioca já não subiu uma favela. Já estive em três pelo menos, mas só posso realmente dizer que conheci, ainda que parcialmente, a Rocinha. A maior favela da América do Sul. Dificilmente também alguém que tenha subido um morro já não tenha avistado um marginal armado.

A maioria absoluta dos moradores são pessoas trabalhadoras e honestas, mas a “marca” da favela para quem não vive por lá é e continua sendo como domicílio dos pobres, gangues e marginais.

Óbvio que em toda favela possuem homossexuais. A orientação sexual também não escolhe local.

A mero título de exemplo, basta comparecer a um ensaio da escola de samba destas comunidades que se descobre uma imensa quantidade de gays, lésbicas e travestis oriundos de favelas.

Neste mundo atual tão globalizado e com recursos de tecnologia, a tarde toda assistir na principal rede de televisão os “bandidos” e “mocinhos” fortemente armados, tanques de guerra, carros blindados, caveirão, helicópteros, carros, pneus incendiados, centenas de policiais e assustadoramente centena de marginais, parece mais sessão da tarde exibindo o filme Tropa de Elite – Sem ficção.

Para aqueles que moram no Rio de Janeiro a visão e sentido não são os mesmos, imaginem então para quem mora nestas favelas? Filhos da pátria pobres, grande maioria negra, frágeis. Vivem a discriminação na pele, pela condição social e local onde moram. A polícia chega e, evidente, tem que passar o pente fino, pois ninguém traz na testa se é honesto ou marginal, mas isto não faz com que deixe de ser humilhante. Se não morasse ali não passaria por tal constrangimento. Ao mesmo tempo, o bandido e a milícia abordam e o morador tem que agüentar e se calar, pois depois quem manda e cuida do local são eles.

Ninguém respeita o morador da favela, mas nesta guerra formada, nenhuma das três pontas deste triangulo possui escolha. O bandido quer se salvar e passa por cima de qualquer um, a polícia quer prender, tem que entrar e verificar, e o cidadão morador tem que suportar, já que a ele não é dada nenhuma escolha. Quer tentar entender, basta pensar que o seu lar é, em regra, o local que quando chega, significa a sua segurança, proteção. Não para quem mora numa favela.

E agora lhe pergunto: e os gays, lésbicas e transgêneros que moram nestas favelas? A “escória” da “escória” nos padrões culturais machistas, religiosos e de deputados insanos que afirmam ser falta de porrada? Como estas pessoas que mesmo sem invasão de polícia já viviam sob o crivo de bandidos a ameaça as suas vidas, por conta de suas orientações sexuais? A pobreza está ainda muito ligada a falta de acesso da boa formação, a qual seria uma das únicas expectativas de um futuro melhor. Mas se a toda discriminação do morador de favela ainda tiver que ser acrescido este plus, da violência e discriminação aos LGBTs, como agora eles estarão?

Dentro do universo de quem mora numa favela, sempre encontraremos aqueles que lutam por direitos humanos que reclamarão pelos direitos das minorias dos negros, das mulheres, dos adolescentes, idosos e etc.

No movimento social LGBT muito se discute sobre os imprescindíveis direitos de igualdade e da dignidade da pessoa humana, mas deveríamos prestar uma especial atenção àqueles que conseguem sofrer uma discriminação ainda maior que o restante de nós.

Diante desta confrontação, quase beira ao ridículo quando gritamos pela união civil, direito de demonstração de afeto nos lugares públicos e tantos outros direitos. Para a maioria deles isto nada mais é que supérfluo. Não que tais direitos não sejam fundamentais e não se refiram a dignidade. São e precisam ser exigidos. Mas nada se compara a profundidade ao mesmo direito à dignidade da pessoa humana reclamada por estes cidadãos.

Se este terrível evento no Rio de Janeiro servir para algo de bom, que seja para fomentar a reflexão e reforçar a ação do movimento social contribuindo, através de sua aparente organicidade, a cobrança junto às autoridades públicas municipais, estaduais e federais para que os devidos acessos sejam garantidos a estes LGBTs.

Temos a obrigação de ajudar a cobrar do Estado.

Sei que no ano passado até houve um Seminário de Políticas Públicas para População LGBT Moradora de Favelas, envolvendo a ‘Conexão G’, que este ano houve a primeira passeata gay da Favela da Rocinha, que há Passeata Gay da Favela da Maré, mas sinceramente não faço a menor idéia é feito em termos práticos para a população LGBT da favela. Se alguém souber, partilhe conosco! Fica aqui minha solidariedade aos homossexuais moradores das favelas cariocas.


Fotos:
Rapazes se Beijando - 1a. Parada Gay da Rocinha/RJ -de Saulo Cruz
Policiais e Tiro - Favela Vila do Cruzeiro/RJ - G1

sábado, 20 de novembro de 2010

Sessão Pinkpoca= "Desirella"


Curta de animação apresentado no dia anterior a abertura do ENUDS 2010. Quem chegou só no dia da abertura (ou nem foi) pode conferir agora:



Trata-se de uma nova versão da Cinderella, mais contemporânea e realista, um bem sacada crítica ao consumismo e ao vazio exitencial do cotidiano feminino.

Delicie-se

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mostra em Curitiba apresenta filmes com temática LGBT


Acontece de 17 a 23 de novembro (de hoje a terça-feira) na Cinemateca de Curitiba a 5ª Mostra de Cinema em Direitos Humanos, apresentando diversas obras que versam sobre combate a tortura, democracia e e direitos humanos, respeito às diversidades, solidariedade intergeracional, direitos da criança e do adolescentes. O evento contará com 4 produções entre nacionais e internacionais dedicados a temática da diversidade sexual e de gênero.

Em 2010, a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul completa cinco anos. Criada em 2006 para celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos a Mostra vem se firmando como um espaço de reflexão, inspiração e promoção do respeito à dignidade intrínseca da pessoa humana.

Organize-se. Marque na sua agenda:

ATENÇÃO: Os filmes serão exibidos em blocos, portanto os horários poderão variar um pouco

O QUARTO DE LEO- Enrique Buchichio (Uruguai/ Argentina, 95 min, 2009- filme)
Dia 20/11 a partir das 14:00 horas.
(Classificação indicativa: 14 anos.)

SINOPSE: Leo, um jovem em pleno processo de autoaceitação e definição sexual, reencontra-se com Caro, uma ex-colega de escola primária de quem gostava quando eram crianças, e que agora vive sua própria crise pessoal. Este reencontro casual terá repercussões nos conflitos de cada um, sem que nenhum deles saiba realmente o que acontece com o outro.

BAILÃO- Marcelo Caetano (Brasil,17 min, 2009- documentário)
Dia 21/11 as 16:00 horas

SINOPSE: A memória de uma geração visitada por seus personagens. O cenário é o centro de uma grande cidade; o enredo, a urgência da vida. E o Bailão, o ponto de convergência dessas histórias.

EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO - Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)
Dia 21/11 as 20:00 horas

SINOPSE: A vida de Leonardo, um adolescente cego, muda completamente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo Gabriel.

XXY- Lucia Puenzo (Argentina/França/Espanha, 86 min, filme)
Dia 23/11 as 20 horas
(Classificação indicativa: 16 anos.)

SINOPSE: Alex nasceu com as características sexuais de ambos os sexos e, para fugir dos médicos que insistiam em corrigir a ambigüidade genital da criança, seus pais a levam para um vilarejo no Uruguai. Convencidos de que uma cirurgia seria uma violência contra seu corpo, eles vivem retirados numa casa nas dunas. Um dia, recebem a visita de um casal de amigos, que traz com eles o filho adolescente. O pai visitante é especialista em cirurgia estética e se interessa pelo caso clínico da jovem. Enquanto isso, Alex, de 15 anos, e o rapaz, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.

LOCAL:Cinemateca de Curitiba-Rua Carlos Cavalcanti, 1174 - Sao Francisco
Site: http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/espacos-culturais/espaco/cinemateca-de-curitiba

Confira a programação completa:
http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2010/curitiba.php#atalhos


Sinopses:http://www.adufpi.org.br/noticias/5a-mostra-de-cinema-e-direitos-humanos-na-america-do-sul

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Defensores da "liberdade de expressão" agitam abaixo-assinado para censurar filme


Recebi este material por e-mail a algumas semanas atras, acompanhado de mais de 600 assinaturas (isso mesmo, mais de seiscentas!)

Olá pessoal,
O filme intitulado 'Corpus Christis' (O Corpo de Cristo),que vai sair em breve na América do Norte, mostra Jesus mantendo relações homossexuais com os seus discípulos. A versão teatral já se apresentou. É uma paródia repugnante de Jesus.
Uma ação concentrada da nossa parte poderia mudar as coisas. Você aceita juntar o seu nome no fim da lista?
Em caso afirmativo, poderíamos evitar a projeção deste filme no Brasil e até em outros paises. Este filme nega a verdade da Palavra de Deus.

PRECISAMOS DE MUITOS NOMES em adesão a esta proposta para evitar a exibição do filme.
Na Bíblia está escrito: "Quem me confessar diante dos Homens, Eu o confessarei Diante de meu Pai, que está nos Céus."(Mt 10.32). "Mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus."(Mt 10.33)


Acho a circulação desse tipo de campanha extremamente perigosa, pois cria um clima de perseguição intelectual e repressão geeralizada, no qual as pessoas perdem o direito de expor suas idéias, por mais "heterodoxas" que estas sejam, em nome de uma suposta "Verdade". E ainda criticam o "fanatismo" dos talibãs e dos aiatolás. Além disso, qual o problema de se apresentar uma versão do Evangelho devidamente comprovada pelo Luis MOtt?

(hahahahaha, pegadinha do malandro)

O texto não passa de um "hoax" (boato) lançado na internet a muitos anos atras. Notem que nesse site evangélico já se denunciava o engodo. Reparem que pouca gente levava a coisa a sério no longinquo ano de 2008. Mas mesmo assim, 600 pessoas participarem de uma campanha para obstruir o direito de expressão alheio -sendo que pelo menos uma delas conheço pessoalmente- é um ascinte.

Pense nisso.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sessão Pinkpoca (com denúncia)= "Ser feliz incomoda muita gente"

(por Dorothy Lavigne)

A Sessão Pinkpoka de hoje não vai ser "fofinha". Trata-se de uma violencia que ainda ocorre na vida de muitos jovens LGBT, quase 2 décadas depois da retirada da homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID-10):




Pra quem não entendeu o video, a Unicamp, uma das mais tradicionais instituições de ensino superior desse pais, lugar onde produz conhecimento a "nata intelectual brasileira", esta entrando com processo contra uma estudante:

Motivo: no dia posterior ao 8º ENUDS, teve o atrevimento de espalhar cartazes e material de cunho "pornografico" naquela universidade. Afinal, onde já se viu uma aluna respeitável obrigar os colegas a verem palavras de baixo-calão, como

"vamos rifar os corpos" (claro, pois naõ vivemos numa sociedade machista e nunca se viu uma estudante ser rifada num trote),

"você tb mata uma travesti com seu preconceito",

"(...) fode mas não deixa gozar"

Agora, juro que não entendi o final do video. Parece que os familiares querem internar a garota numa clinica psiquiatrica.
Será que estaria sendo internada a contra-gosto, por participar de um evento tão "promíscuo" e "imoral"? Peraí, o homossexualidade não foi despatologizada a quase 20 anos atras?
Ou será que acharam o ato subversivo demais? Nesse caso acho que precisam avisar ao Magnifico Senhor Reitor da Unicamp e a Policia de Bons Costumes que a Ditadura já acabou.

E prinicipalmente; quem vai tomar alguma atitude?

Pra quem acha que exagero no ironia e nas criticas, leia a repercussão do caso no site do PCO:

"A estudante divulgava um ato pela diversidade sexual na entrada de carros da portaria dois da Unicamp, no dia 14 de outubro. “Ao amanhecer a vigilância do campus foi chamada e retiraram todos os cartazes, já para a Janis, chamaram o SAMU, que a encaminhou para o Hospital das Clínicas, onde foi medicada, dopada, amarrada e internada.” (Manifesto da Janis)

Segundo o Receituário do Hospital das Clínicas, a “paciente foi trazida pelo SAMU em 14/10/10, pois estava no campus da Unicamp FAZENDO PROTESTO pelas minorias homossexuais”.


Força na peruca!
Deixa ai seu apoio nos comentarios.

Universidade Federal de Santa Catarina debateu transexualidades e patologização das identidades trans

Ocorreu na última quarta-feira, dia 03 de novembro, na Universidade Federal de Santa Catarina, o debate sobre "Transexualidades e Patologização das Identidades", promovido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), coordenado pela professora Miriam Pillar Grossi. Participaram do debate Simone Ávila, doutoranda interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, que estuda transexaulidades masculinas, Kelly Vieira, presidente da Associação ADEH - NOSTRO MUNDO (Associação de Travestis e Transexuais da Grande Florianópolis) e um acadêmico de Ciência Sociais de uma universidade federal, transhomem.



O debate insere a UFSC na campanha internacional pela luta contra a patologização das identidades trans, Stop Patologização da Identidades Trans 2012.



Simone Ávila apresentou os principais conflitos e dilemas que envolvem o tema, na perspectiva do espanhol Gerard Coll-Planas: não há consenso dentro da própria comunidade trans acerca das reivindicações da despatologização; a abordagem e a conveniência da luta em distintos contextos sociais, por um lado a Amarica Latina e, por outro, Estados Unidos e Europa; o ativismo trans estabelece um interessante debate com o feminismo a partir do momento em que afirma que a questão da patologização é um exemplo de reprodução de sexismo, e, portanto, se constitui em uma causa comum, discutindo sobre o sujeito político do feminismo e , o outro conflito é o discurso médico dominante.



Para Kelly Vieira, a patologização trans obriga as pessoas trans a se encaixarem em uma norma heterossexual e a produção da maioria das pesquisas acadêmicas reforça esta idéia. Para ela, o que deve ser debatido é a individualidade e subjetividade de cada pessoa e diz que os programas de mudança de sexo também obrigam as transexuais a adotarem uma "identidade feminina da mulher branca burguesa, não dando espaço para outras manifestações ou expressões da transexualidade que não se encaixam no modelos binaristas que existem."



O acadêmico de Ciências Sociais questionou a produção de identidades fixas e o processo transexualizador do Sistema Único de Saúde: "não é justo e digno você ser taxado de doente para poder acessar este serviço e fazer as transformações que você deseja e ser o que você sempre foi. É uma barbárie! Nestes programas você tem de ser obediente e não é respeitado o seu direito de escolha. Despatologizar a transexualidade não siginifica não ter acesso à saúde e sim ter a chance das pessoas serem reais".

FONTE:http://soutranshomemedai.webnode.com/news/universidae%20federal%20de%20santa%20catarina%20debateu%20transexualidades%20e%20patologiza%C3%A7%C3%A3o%20das%20identidades%20trans/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sessão Pinkpoca - "Como esquecer" os comentários dos impressionados....

Por Mayara Locatelli


Quando procurei na internet sobre o filme "Como Esquecer", pois queria postá-lo aqui, encontrei muito títulos como "veja beijo lésbico de Ana Paula Arósio" ou "Filme tenta quebrar preconceito". Sou suspeita para falar por dois motivos:

1- porque vi somente o trailer e

2- porque realmente já vi MUITOS filmes gays (quando digo gay englobo tudo: seja homem ou mulher). E se as pessoas estão impressionadas como esta história, devido a um beijo entre mulheres e uma desilusão lésbica, mostra que o Brasil ainda é um retardatário. Não há maneiras de abandonar os comentários sobre a maioria da população que não vê o que está diante de si: um país com muitos, muitos muitos gays.  Se você viu o filme diga sinceramente: o escândalo é pra tanto?

 As atrizes Ana Paula Arósio e Arieta Corrêa, um casal no fime, e a diretora Malu De Martino
 
Mas vamos a sinopse de "Como esquecer", que é o tema do Pinkpoca de hoje:

 "o filme  de Malu de Moraes, narra a história da professora universitária lésbica Júlia (Ana Paula Arósio), que sofre para esquecer a ex-namorada Antônia. Enquanto isto o amigo, também homossexual e viúvo, Hugo (Murilo Rosa) tenta resgatá-la do fundo do poço levando-a para morar no subúrbio do Rio de Janeiro. Inspirado no livro Como esquecer: anotações quase inglesas, de Myriam Campello, o filme nem sequer considera o conflito de sexualidade. O esforço maior da produção concentrou-se em apresentar os sentimentos de pessoas que lidam com a perda, de maneiras diferentes." - fonte sinopse - Correio Braziliense.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sessão Pinkpoca=FCKH8- Como dialogar com homofóbicos



(por Dorothy Lavigne)

Olá, pessoal!

Agora toda sexta-feira é dia de filme no blog Além da Parada, pegue seu acento, pipoca e refrigerante e divirta-se (de forma critica e sadia)!!!



Campanha nos EUA denuncia a repulsiva Proposição 8, que se propõe a meramente restringir os direitos civis dos LGBTs ianques.

Caso não goste de palavrões e imagens fortes, tirem os pimpolhos da sala:



Ironias a parte, segue minha opinião pessoal:

Apesar de toda ironia, precisamos é de uma campanha destas na bela Pindorama (a explendida "Terra das Palmeiras", que os portugueses católicos fizeram o "favor" de "civilizar"), para que nossa população entenda que respeito é uma via de mão dupla. Precisamos de pessoas corajosas por aqui que se proponha a "deseducar" nosso povo tão preconceituoso e preconceituado.

E o leitor, o que acha?
Que tal xingar, "educadamente"?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Preconceito que mata

        Em 2009, 198 homossexuais foram mortos no Brasil, 11 a mais que em 2008 e 76 a mais do que em 2007 - um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas. Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano. O número tem aumentado na última década. Antes, era um assassinato a cada três dias. Agora, acontece um a cada dois dias.
     O Brasil é o país com maior número de assassinatos. Em 2009 no México, por exemplo, foram 35. Empatado com a Bahia como estado mais homofóbico do Brasil, o Paraná registrou, segundo dados do GGB, 25 assassinatos em 2009: 15 travestis, oito gays e duas lésbicas. Os outros quatro estados mais homofóbicos são São Paulo, Pernambuco, Minas e Alagoas.
     Em meio a tantos crimes será realizada uma Audiência Pública com o tema “Assassinatos praticados contra a população LGBT”. A audiência acontecerá no dia 24 de novembro de 2010, das 14 às 17 horas no Auditório 09 da Câmara dos Deputados, em Brasília.
    Esta audiência tem a promoção da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e da Comissão de Legislação Participativa. O evento tem como apoiadores: a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT) e entidades parceiras; Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde; Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids - UNAIDS.
 

Confira a programação:

14h – Abertura

- Deputada Iriny Lopes, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

- Deputado Paulo Pimenta, Presidente da Comissão de Legislação Participativa

- Deputado Iran Barbosa, Representante da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT

- Minstro Paulo Vannuchi, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

- Yone Lindgren, Coordenação Política Nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas

- Keila Simpson, Vice-Presidente da ABGLT

- Toni Reis, Presidente da ABGLT


14h30 – Aumento dos Assassinatos praticados contra a população LGBT


Antonio Sergio Spagnol, doutor em Sociologia do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro “O Desejo Marginal”

Osvaldo Francisco Ribas Lobos Fernandez, coordenador da pesquisa Crimes Homofóbicos no Brasil: Panorama e Erradicação de Assassinatos e Violência Contra LGBT

Érico Nascimento, pesquisador do Núcleo de Estudos da Sexualidade da Universidade do Estado da Bahia (Uneb)

Luiz Mott, antropólogo, historiador, pesquisador, professor emérito do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador do Grupo Gay da Bahia e autor do livro Violação dos Direitos Humanos e Assassinatos de Homossexuais no Brasil

16h30 – debate

17h – Encerramento

Obs: Caso você necessite de um convite personalizado, para fins de dispensa do trabalho  ou para conseguir passagens e diárias para ir a Brasília, favor pedir através do e-mail gisele.villasboas@camara.gov.br. Destaca-se que não há passagens ou diárias disponíveis através da organização do evento.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O natural te constrange? (Relato sobre o 8º ENUDS)



(por Dorothy Lavigne)

"Vai tomar no c*!"

Achou a frase ofensiva? Os cerca de 450 estudantes reunidos em Campinas neste ultimo feriadão não acharam, muito pelo contrário. Tanto que o cartaz que dava boas vindas aos que chegavam a 8ª edição do ENUDS (Encontro Nacional Universitário da Diversidade Sexual) era uma composição de fotos de vários ânus, e propunha que se adivinhasse qual pertencia a um gay, um hetero, uma transexual, etc...

Como o tema:"Assimilação X Transformação- políticas de subversão e ciladas dos movimentos sociais" o evento conseguiu de forma magistral alcançar o objetivo ao qual se propunha; ser um espaço de subversão cultural e liberação dos corpos e apresentar criticas ao"conservadorismo das ONGs e instituições ligadas a questão LGBT.

Quando cheguei por volta das 9 da manha de sexta, nem imaginava tudo o que estava prestes a acontecer diante dos meus olhos. Admito não ter aproveitado todos os espaços por que tive que ir constantemente ao alojamento levantar o queixo. Coisa de "curitiboca" bem comportadinha.

Logo na mesa de abertura, um dos oradores resume o que estaria por vir, ao aludir a uma pixação nos muros de Paris no Maio de 68:"Quanto mais faço revolução, mais sinto vontade de amar. Quando mais amo, mais sinto vontade de fazer revolução".

Na noite de domingo, uma festa na boate Orion, o TransENUDS fora palco de um ato político emocionante e inesperado. Estavam previstas na programação várias performances, incluindo um "topless". Porém a milícia dos bons costumes, digo, os seguranças da casa tentaram intervir. Nesse momento, Janaina Lima, militante do Grupo Identidade e uma das organizadoras do evento sobe ao palco para denunciar o ato de repressão, e diante do desafio "O que vamos fazer?" todas as mulheres presentes passaram a mostrar os seios em solidariedade a colega discriminada (vide foto acima, tirada por Manoel Barbosa).

No outro dia, na mesa sobre feminismo, uma professora palestrante, ao sugerir que o Enuds se limitava a um evento acadêmico, recebera como resposta de um dos participantes "O que é academia pra vocês? Pra que tanto antagonismo entre militância e academia? Vamos lutar contra o verdadeiro inimigo em vez de lutar uns contra os outros!"

Houve ainda na segunda feira de manhã uma visita a Fazenda Roseira, importante marco histórico e patrimônio cultural ameaçado pelo "progresso", e que só resiste graças a intervenção direta da Comunidade do Jongo Dito Ribeiro, que resgata parte da tradição negra em meio a construção de modernos complexos habitacionais e shopping-centers.

Pontos altos na programação foram os "oficursos", com oficinas dos quais destaco 3:
" Introdução à Política Queer", apresentado por Richard Miskolci e Leandro Colling; "Os Estigmas da Ditadura no Corpo", coordenado por Jardel Augusto Dutra da Silva Lemos e "Cenas e Imagens Pornográficas: faça você mesmo", coordenado por Fernando Matos e Fátima Regina Almeida de Freitas

Quem não foi e gostaria de saber o que perdeu veja a programação:http://www.identidade.org.br/2010/html/programa/index.html

Agora falarei sobre minha experiência pessoal e o que aprendi durante o evento. Preciso admitir que não consegui estar presente a todos os espaços como já afirmei. As atividades me impactaram por demais, ao ponto de não conseguir sair do alojamento com medo do que poderia ver do lado de fora. Nesse momento consegui perceber o quanto somos reprimidos e anulados em nossos desejos, descobri que temos um corpo e o que podemos fazer com ele. Vi o quanto da minha vida foi jogada fora por causa da repressão social e da falta de coragem de me impor.

O ENUDS mudou minha vida quando, no momento em que as pessoas estavam saindo do alojamento para ir embora, ao ver do lado de fora um grupo de nudistas, criei finalmente coragem e gritei, entre lágrimas: "Gostaria muito de participar com vocês, mas meu corpo não permite [por ser transexual em transição] "

Para mim, o Encontro foi mais que um momento de catarse, um caminho para a libertação de muitos traumas pessoais e a oportunidade de vivenciar um mundo inclusivo que tentamos construir, no qual as pessoas não tenham mais medo de ser o que quiserem ser.

Por fim, caso o ilustre leitor tenha se sentido em algum momento de meu testemunho constrangido ou mesmo violentado em seu pudor, respondo com uma das frases escritas em um dos vários cartazes espalhados pela Unicampi: "Eu vivo a tua vergonha".

Pense nisso. Em 2011, o ENUDS será na Bahia e você também terá sua oportunidade...

Fotos do evento você poderá conferir em http://www.flickr.com/photos/alemdaparada

DESAFIO:

Para quem foi ao ENUDS em Campinas, que tal postar aqui na parte de comentários, como foi sua experiência? Divida com a gente.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Estudantes da UFPR debatem União Civil entre pessoas do mesmo sexo




Na ultima quarta-feira (6 de outubro) a sala Homero de Barros foi cenário de um momento raro na tradicional instituição acadêmica. Dezenas de jovens se reuniram para discutir a questão da união entre parceiros do mesmo sexo, polêmica que tende a se estender em nosso país nos próximos meses, tendo como base uma lei recentemente aprovada na Argentina que equipara juridicamente os relacionamentos homo-afetivos aos considerados por ainda por nossa sociedade como "normais".

O evento, organizado pelo GT de Opressões da ANEL, começou as 19:00 e se findou lá pelas 21:00, mais pela retirada de alguns participantes que tinham aula do que pela falta de debate de qualidade. Ajudou a compor a mesa a professora de Educação Fisica e ex-candidata a Deputada Estadual, Claudinha.

Logo no inicio da discussão foi proposta, como aprofundamento à questão do projeto de lei, uma conscientização sobre a questão das uniões afetivas e as parcerias entre pessoas transexuais e seus companheiros. Afinal, como definir se essas relações são hétero ou homo-afetivas, se juridicamente as identidades de genero fora da norma ainda são consideradas um tabu?

Em suma, a principal polêmica apresentada pelos participante era a se o segmento LGBT deveria se contentar a hipotética aprovação de uma lei baseada no conceito de União Estável, como se propõe a movimento organizado, ou se deveríamos exigir o Casamento Civil, tendo em vista a equidade de direitos em relaçao as uniões hetero-afetivas, sendo que a tendência observada entre os debatentes era pela segunda opção.

Em minha opinião, trata-se de um momento importantíssimo, no qual o movimento estudantil se propõe a trazer de volta a luta pela "Diversidade Sexual", um desafio juvenil, porém responsável e maduro a uma Universidade que em sua propaganda oficial alardeia a tradição por ser a mais antiga instituição de Ensino Superior do pais.

Parabéns ao jovens!!!!

*Em tempo: a ANEL ( Assembléia Nacional dos Estudantes- Livre) é uma organização nacional e apartidária, criada a cerca de 2 anos por dissidentes da UNE, e que criticam a falta de debate consistente e de atuação desta última, não só quanto à questão LGBT, mas em interesses dos próprios estudantes. Desde o Congresso Nacional dos Estudantes, no qual a ANEL foi criada, é questão de honra para a organização debater e conscientizar a classe estudantil para questões ligadas às opressões em geral, criando espaços nos quais militantes LGBT, negros, mulheres, minorias religiosas, etc, podem trocar experiências. Este espaços de debate de uma forma geral, costumam ser os mais badalados e participativos nas Assembleias da entidade, afinal, todos sofremos na pele algum tipo de preconceito, certo?

domingo, 3 de outubro de 2010

Campanha pela igualdade social :envolva-se, surpreenda-se e mova-se

A cantora Cindy Lauper lança campanha nos EUA sobre igualdade social: o Give a Damn (saiba mais neste vídeo). É um projeto da True Colors Fund, no qual Cyndi Lauper é responsável. A True Colors trabalha para inspirar e envolver a todos na promoção da igualdade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, movimento no qual Cyndi está envolvida há décadas. Como a cantora diz, "se um de nós não é igual, nenhum de nós o é".

Abaixo algumas informações disponibilizadas pelo site :

"O Give a Damn é uma campanha para todos que se preocupam com a igualdade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros no âmbito social.

Se você já é um apoiante ativo, quer mostrar sua solidariedade pela primeira vez, ou não tinha dado a igualdade muita reflexão mas agora quer aprender mais, nós estamos aqui para ajudá-lo informando sobre as questões e obtendo envolvidos, em um ritmo que funciona para você. Você encontrará muitas informações úteis ao longo deste site. Informações que vão envolvê-lo, surpreendê-lo e movê-lo. Também vai encontrar maneiras de atuar e demonstrar o seu apoio, incentivando os seus colegas heterossexuais a mostrar o apoio deles também.

Como dissemos, a campanha  Give a Damn é para todos. Porque a única maneira que podemos realmente alcançar a igualdade  é se todos se informarem e se envolverem. Por isto tudo o que você ler, ver ou encontrar aqui que considerar interessante, compartilhe com as pessoas conhecidas!




Mas a coisa mais fácil que pode fazer é levar 30 segundos para se juntar à campanha. Assim nos deixará personalizar o site para você e mantê-lo atualizado sobre as últimas novidades e maneiras de se envolver, através de informativos como o nosso boletim eletrônico mensal. O lugar para ficar informado e envolvido a cerca de gays, igualdade, lésbicas bissexuais e transgêneros".

domingo, 26 de setembro de 2010

Pesquisa sobre homofobia na escola será divulgado em Curitiba

Baixe aqui o Programa Brasil Sem Homofobia
Será divulgado nesta segunda-feira, dia 27 de setembro, em Curitiba-PR, o resultado da pesquisa Homofobia na Comunidade Escolar, que atingiu 11 capitais brasileiras. O estudo de campo aconteceu no ano passado, entre 28 de setembro e 4 de dezembro, e ouviu mais de 1.400 pessoas ligadas à escola nas cinco regiões do país.

O propósito da iniciativa foi medir o conhecimento e percepção de estudantes do 6º ao 9º ano da rede pública da ensino, equipe docente, gestores e autoridades acerca da homofobia no ambiente escolar, gerando assim subsídio para a execução do Programa Brasil Sem Homofobia, uma ação do Governo Federal.

Capitaneadas pelas pesquisadoras Margarita Díaz (pesquisadora responsável) e Magda Chinaglia (coordenadora) as aferições tiveram a metodologia aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp. Ambas são representantes da Reprolatina, ONG voltada para questões da saúde sexual e reprodutiva e responsável pela pesquisa. Além de entrevistas individuais com secretários de educação (dos estados e dos municípios), diretores e coordenadores das escolas,  a metodologia da pesquisa também contou com grupos focais formados por professores e estudantes; observação dirigida em espaços escolares, como sala de aula, biblioteca, banheiros; observação do comportamento de alunos e dinâmicas.

Comunidade
Ao todo, foram envolvidos 1.412 participantes: 395 estudantes, 382 professores, 86 gestores escolares, 11 autoridades estaduais, 11 autoridades municipais e mais 527 outros integrantes de comunidades escolares. Os colégios foram escolhidos de modo aleatório nas capitais a seguir, de modo que as cinco regiões do país forma contempladas: Norte: Manaus (AM) e Porto Velho (RO);   Nordeste: Recife (PE) e Natal (RN); Centro-Oeste: Goiânia (GO) e Cuiabá (MT); Sudeste: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ); Sul: Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

Iniciativa
 A pesquisa faz parte do Projeto Escola Sem Homofobia, financiado pelo Ministério da Educação, e executado em parceria entre a Pathfinder do Brasil (Salvador-BA); Reprolatina; e ECOS - centro de estudos e comunicação em sexualidade e reprodução humana (São Paulo-SP); com o apoio da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT; da GALE – Global Alliance for LGBT Education; e da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional.


sábado, 25 de setembro de 2010

Parada da Diversidade 2010: liberdade para amar

por Annelize Tozetto

Uma festa que celebra a liberdade. Uma festa que prega a liberdade. Liberdade de amar, indiferente de sexo e principalmente de opção sexual. Assim vejo a Parada da Diversidade 2010, realizada em Curitiba, no último dia 19. Nada mais encantador do que essa pluralidade: jovens ou não, adultos ou não, de Curitiba, de Ponta Grossa, de Santa Catarina ou de São Paulo, todos juntos, reunidos para celebrar e também para lembrar que todos – absolutamente todos – tem o direito e a liberdade de amar quem quiserem.

Com o tema “Defenda a cidadania, vote contra a homofobia”, a Parada Gay (como é conhecida) quis nesse ano chamar a atenção do público e das autoridades para as eleições desse ano e das inúmeras lei e emendas que podem entrar em vigor para todos em relação a direitos LGBT.  Todo mundo botou pra quebrar, ao som de muita música eletrônica, de risos. Sem contar a caminhada da Praça do Homem Nú até o Palácio Iguaçu, que como diz o texto da Doroth, foi cheia de significados. Afinal, se despir de si mesmo e dos próprios preconceitos não é tarefa fácil pra ninguém.

Pessoalmente, a festa serviu para eliminar da minha vida uma espécie de ranço preconceituoso advindo da minha própria educação.  Uma espécie de limpeza de alma,  que me deixou feliz, leve e com  mais vontade ainda de entrar nessa luta.  Existe algo muito maior por aí (vocês sendo céticos ou não) e que aceita nossas decisões e que nos incentiva a lutar pelo direito de igualde com todos. Não foi assim com as mulheres no decorrer dos anos? Então, porque não pode ser com lésbicas, transsexuais, travestis e gays?


Heresia para alguns? Sim, infelizmente. Cada um acredita no que quer, mas o espaço do outro deveria ser sempre respeitado. Não deveria existir caras feias, falas preconceituosas ou coisas do gênero. Nem com opção sexual, nem com religião. Se cada um respeitasse o outro, já seria um bom começo. Não precisa se engajar na luta… mas sim procurar entender, procurar conhecer o que se passa e respeitar.

A Parada me fez pensar nisso. O blog Além da Parada me faz pensar nisso sempre. As reuniões com o pessoal (Ana, Doth, May e o Deh) me conscientizam cada dia um pouco mais. Só tenho a agradecer por tudo, especialmente pela experiência fantástica do último domingo. E que venham outros eventos, outras oportunidades e outras pessoas interessadas em fazer uma comunicação diferente e compartilhada, levando em conta a realidade LGBT. Se as pessoas pararam três minutos para pensar sobre o assunto e mudar , o esforço já terá valido a pena.